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Na Noite Europeia da Investigação, as estátuas falam em Évora

Sob o título “Estátuas que falam: roteiro performativo pelas esculturas burguesas de Évora“,

um grupo de participantes e transeuntes teve a oportunidade de se aproximar da história e da memória das primeiras esculturas públicas erguidas na cidade de Évora com vocação de permanência no espaço público, no último quartel do século XIX.

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Entre a Praça 1º de maio e o Jardim Público. Foto: José Abreu

Iniciando o percurso na Praça 1º de Maio de Évora— onde decorria a atividade principal da NEI, Noite Europeia dos Investigadores (1, 6) — e avançando em direção ao Jardim Público, o roteiro guiou às pessoas participantes por diversos monumentos oitocentistas que, em algum momento da história, estiveram presentes neste espaço verde organizado e desenhado por Giuseppe Cinatti com o apoio do Francisco Barahona.

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O busto do verão, por Catarina Nunes. Foto: José Abreu

Contudo, longe de uma visita guiada convencional, esta iniciativa destacou-se por uma originalidade : as estátuas ganharam vida. Interpretadas em carne e osso por alunas da Universidade de Évora, as esculturas “falaram” diretamente com as presentes. Revelaram histórias e contextos sociais do século XIX que conduziram ao consenso dos homens poderosos para o seu erguimento neste novo espaço urbano, o jardim público.

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No coreto, para apresentar ao Camões e Vasco da Gama. Foto: José Abreu.

As participantes fizeram um percurso acompanhadas pela mediadora Zozaya e as representantes dos diversos bustos e esculturas: da época estival (Catarina Nunes), Camões e Vasco da Gama (Filipa Coelho), Guiseppe Cinatti (Carina Lopes) e a escultura Liberalitas Iulia que está na basa do Monumento ao doutor Francisco Barahona (Natalia Munera), no jardim de Schomberg.

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Filipa Coelho apresenta as esculturas do Camões e Vasco da Gama. Foto: José Abreu.

Em conjunto, revelaram como as efígies representavam uma idealização, assim como uma fuga revivalista na história, elemento que foi essencial para a construção da nação de Portugal desde 1880. Explicaram como estavam localizados neste espaço de lazer principalmente vocacionado para a burguesia, por razões associadas à representação social do poder (2)

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Carina Lopes apresenta a escultura do Giuseppe Cinatti, 1884. Foto: Filipa Coelho.

Da pedra à vida: o património ganha voz no espaço público através da ciência aberta

Esta abordagem performativa transformou o espaço público num palco de mediação cultural, onde a dramatização serviu de ponte entre a comunidade e a investigação histórica baseada -neste caso- em estudios realizados por Zozaya sobre as esculturas públicas e privadas de Évora (2, 3).

Conversa sobre a escultura do Giuseppe Cinatti, 1884. Foto: José Abreu.
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Zozaya fala da escultura do Giuseppe Cinatti, 1884. Foto: Filipa Coelho.

Também foram apresentadas outras esculturas que não estão naquele espaço, mas que podem ser situadas no mesmo contexto de representação social de figuras no espaço público eborense. Por exemplo, a representação do benemérito da cidade Francisco Barahona, quem compareceu simbólicamente desde o Tribunal de contas. Foi mencionado junto da sua esposa Ignásia Fernandes, e da representação feminina Liberalitas Iulia, com o intuito de evidenciar a quase total ausência da mulher no espaço público escultórico de Évora durante o século XIX e grande parte do século XX (até à chegada da democracia a Portugal).

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Apresentando a escultura do Francisco Barahona, apoio do Giuseppe Cinatti. Foto: José Abreu.

Com coordenação e responsabilidade científica de Maria Zozaya-Montes, Investigadora Principal da FCT no CIDEHUS (Universidade de Évora), a iniciativa cruzou a História Social, o Património e as Artes Cénicas para propor uma metodologia inovadora de transferência de conhecimento. Em vez da mera transmissão passiva de factos, contando com as alunas de apoio, modelo habitual, convidou-as a participar na apresentação, convidou as estudantes de apoio a participar ativamente na apresentação, de modo a integrá-las e aproximá-las mais da NEI.

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Carina Lopes na escultura do Giuseppe Cinatti, 1884. Foto: Filipa Coelho.

Deste modo, o roteiro convidou as pessoas participantes a uma reflexão crítica sobre a representação patrimonial e a construção da memória coletiva em Évora nesse periodo da proliferação das esculturas comemorativas em Portugal (1860–1910).

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Liberalitas Iulia, por Natalia Munera (monumento a Francisco Barahona). Foto: José Abreu.

Equipa mediadora e performativa: o grupo de intervenientes e dinamizadoras integrou investigadoras, estudantes, colaboradores da Universidade de Évora (UÉ).

  • María Zozaya-Montes (Investigadora CIDEHUS / UÉ)
  • Catarina Nunes (Estudante UÉ)
  • Filipa Coelho (Bolseira Projeto BRIDGES- Estudante UÉ)
  • Carina Maria Xavier Lopes (Estudante UÉ)
  • Natalia Munera (Estudante UÉ)
  • José Abreu Colombri (Investigador Visitante no CIDEHUS-UÉ)

Esta iniciativa foi proposta a convite da diretora doIFFA Andreia Dionísio, à qual agradecemos imenso a possibilidade de participar e a organização desta sessão.

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Caminho às ruínas fingidas, no Palácio Dom Manuel, Jardim Público. Foto: José Abreu.

Sugestão de cita desta sessão:

Maria Zozaya (Org) et alii (C. Nunes, F. Coelho, C. Lopes, N. Munera), Estátuas que falam: roteiro performativo pelas esculturas burguesas de Évora, NEI, European Researchers Night, Évora, 25 de setembro de 2025. Resumo: https://corporativo.hypotheses.org/6568.

Sobre a criação do jardim público de Évora, Maria Zozaya-Montes o situa no contexto da burguesia socialmente imperante na Europa desde 1860. Para conhecer mais recomendamos o documentário “Os patrimónios da sociabilidade. Os espaços de lazer em Évora”, produzido pelo CIDEHUS-UÈ em 2025 (4)

Esta abordagem foi programada no contexto da denominada European Researchers Night. A NEI, Noite Europeia da Investigação foi criada em 2005 com o objetivo de “organizar um evento em que se pudesse celebrar a ciência em várias cidades europeias em simultâneo. Desde então, a Noite Europeia dos Investigadores tem sido um evento de referência cativando, a cada edição, milhões de participantes em atividades que mobilizam milhares de investigadores entusiasmados por partilhar o seu conhecimento e os resultados da sua investigação”. (6)

Outras atividades na NEI dinamizadas por Maria Zozaya e companhia:

2026- Estátuas que falam: roteiro performativo pelas esculturas burguesas de Évora (aqui)

2026- Passaporte para a Democracia: projeto BRIDGES 2026 (ver mais)

2025- As políticas públicas: O projeto BRIDGES revela o papel da cultura para a inclusão (aqui)

2025- O festival Heritales fala sobre o papel da cultura (aqui) com cinema inclusivo (aqui)

2023- “Abrete Sésamo” Visitamos as associações centenárias (aqui)

2022- Projetamos documentários aqui e em qualquer lugar: Os patrimónios associativos (aqui)

2020- A reciclagem Crowd Recycling (aqui, e video em YouTube)

2020 – O Festival Heritales volta a sair à rua em Évora (aqui)

REFERÊNCIAS:

  1. A denominada NEI (European Researchers Night) é conhecida em Portugal como a Noite Europeia dos Investigadores e em Espanha como la Noche Europea de los Investigadores. Conscientes da importância da linguagem inclusiva feminina, algumas instituições avançadas nesta matéria como La Caixa, procedem a denominar a NEI de uma forma inclusiva, que aqui consideramos que é muito mais procedente para a inclusão que proclama: a “Noite Europeia da Investigação”.
  2. Zozaya-Montes, María, “Figuras falantes. Esculturas do período Burgués em Évora (1850-1930)”, (Tradução Fernando Mendes) Eds. Mariana Soler, Mariana Valente, António Candeias, Évora com Ciencia, percursos. Ed. Hercules, Univ. Évora, 2019, pp. 301-324. Disponível em Pdf noDspace (aqui) e online (aqui)
  3. Zozaya-Montes, M. (2021). Foram as esculturas um fraco instrumento de nacionalização em Portugal? Revolução e monarquia em Lisboa e províncias (1820-1910). Cadernos Do Arquivo Municipal, (15), 87–107. https://doi.org/10.48751/CAM-2021-1572
  4. Documentário: Zozaya, M., Brito, F., & Mendes, F. (2022). Os patrimónios da sociabilidade I, As associações em Évora. CIDEHUS-Universidade de Évora. https://doi.org/10.60469/NDGG-5Q41
  5. Documentário: Zozaya, M., Mendes, F., & Brito, F. (2025). Os patrimónios da sociabilidade I. Espaços de Lazer em Évora. CIDEHUS-Universidade de Évora. https://doi.org/10.60469/RXC6-KJ40
  6. Sobre: NEI Embraces, Ciência Viva, disponível em: https://nei.cienciaviva.pt/2024-2025/sobre
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O grupo na escultura do Giuseppe Cinatti, 1884. Foto: Filipa Coelho.

CRÈDITOS das Imagens:

Cartaz: IIFA (agradecimentos a Andreia Dionísio).

Fotos da entrada:

–Filipa Coelho (equipa BRIDGES, CIDEHUS-UÉ)

–José Abreu Colombri (Visiting Researcher no CIDEHUS-UÉ)

Mix do cartaz: Cartaz do IIFA misturado com foto de Filipa Coelho (por Maria Zozaya).

Redação, ideia e produção: por Maria ZozayaVer album no Flick Inclusive Cultural BRIDGES

Agradecimentos a todas pessoas mencionadas nesta entrada, assim como a todas as presentas que aparecem nas imagens, muito obrigada por terem feito que fosse possível esta sessão.

María Zozaya-Montes
María Zozaya-Montes
Sobre la webmaster de este blog OpenEdition: M. Zozaya Montes trabaja desde 2013 en el CIDEHUS, Universidad de Évora, Portugal.… Leer más

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OpenEdition le sugiere que cite este post de la siguiente manera:
María Zozaya-Montes (1 de octubre de 2026). Na Noite Europeia da Investigação, as estátuas falam em Évora. Corporativismo y grupos profesionales. Recuperado 12 de octubre de 2026 de https://doi.org/10.58079/16vuw


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